Neste domingo, 18 de outubro, a 63ª edição do Circular Campina Cidade Velha terá uma presença especial. Representando um dos grandes patrimônios culturais paraenses, a guitarrada, Mestre Solano é a atração do “Circular Apresenta”, fazendo o show de encerramento da edição, a partir das 18h, na Praça do Carmo, na Cidade Velha.
Um dos nomes fundamentais do gênero paraense, Mestre Solano tem uma obra registrada em 19 álbuns e sucessos como “Americana”, música que permanece sendo revisitada por novas gerações de artistas e pelo público.
Ele garante que vai colocar todo mundo para dançar. No repertório, uma sonoridade atravessada pelos ritmos da Amazônia e do Caribe, em guitarradas, cúmbias, lambadas e cacicós (kasseko ou kasékó, gênero musical de origem caribenha e guianense).
“Animação não vai faltar. E as pessoas que forem assistir ao nosso show, tenho certeza que vão gostar. Graças a Deus e ao meu Santo Expedito, todo show que eu faço é lotado, porque são músicas bonitas, e tocamos aquilo que o povo quer e gosta”, diz Mestre Solano, que, aos 85 anos, mantém a energia para subir ao palco, movido pelo amor à música.
São mais de 70 anos de vida artística para celebrar. “Eu só faço ficar alegre com isso, porque com todos esses anos de vida artística que tenho, Deus me dá forças de continuar tocando, ainda em pé com a minha guitarra”, conta Solano, que estará acompanhado de sua banda. No repertório do show, ele adianta que a maior parte das músicas é autoral.
“Uma das músicas é ‘Som da Amazônia’, uma guitarrada muito bonita. Tem também minha música imortal, ‘Americana’, gravada em 1986 e até hoje sucesso, gravada por vários artistas. Tem guitarrada que fiz em homenagem à minha cidade, Abaetetuba, que se chama ‘Brinquedo de Miriti’. São guitarradas animadas.”
Nascido em Abaetetuba, José Félix Solano Melo iniciou na música ainda na infância, aos 8 anos, de forma autodidata. “Mas o primeiro baile em que eu toquei como músico profissional, eu tinha 13 anos: foi em 1954, lá em Abaetetuba”, conta, lembrando-se da estreia com a banda Jazz Tupi, na qual tocou por 10 anos.
“Por sinal, naquela época eu tocava banjo. Depois passei para a percussão, para a bateria e só então para a guitarra, e acompanhando a guitarra também no teclado”, conta o músico, que depois criou “Solano e seu Conjunto”.
“A música nasceu no meu sangue. Eu nunca tive um professor, nunca fui em escola ou faculdade de música. Sempre digo que meu professor mora lá em cima. Deus me ensinou a tocar todos esses instrumentos. Falava isso para o meu amigo Sebastião Tapajós, que só fazia achar graça”, completa.
Patrimônio cultural passado adiante
Um projeto de lei que ainda tramita na Assembleia Legislativa do Pará quer reconhecer essa trajetória como patrimônio imaterial do Pará. Mas, para o público, o mestre já é reverenciado, dando aulas no palco e fora dele.
“Esta sexta eu vou fazer uma palestra na UFPA, para os alunos e professores, para falar da minha música. Sexta que vem, vou tocar lá”, conta Solano, que se diz satisfeito em passar conhecimento adiante.
“Quanto a esse pessoal jovem que está trilhando o caminho da guitarrada, eu acho muito bom, porque a gente vai partir. E se não tiver pessoas que continuem com nosso trabalho, a tendência é morrer. É bom que os mais jovens vão levando o trabalho que começamos. Aqui tem o Clube da Guitarrada, Guitarrada Society. Tem muita gente tocando, gente que veio de outros estados, para pegar esse estilo. Eu sempre dou força para as pessoas.”
O artista já empunhou sua Gibson vermelha em países como Argentina, Guiana Francesa, Venezuela, Suriname, Cuba e Suíça e mantém uma agenda ativa de shows. Em setembro, tocou no Rio de Janeiro, nos 50 anos do Museu do Pontal, e no Sesc de Niterói. Ele concorda que hoje há um grande interesse do restante do Brasil pela música do Pará e da Amazônia. E é taxativo:
“E tem que ter. O nosso estado é muito rico em estilos musicais. A gente não tem só um estilo: temos nosso brega, o carimbó, a guitarrada, coisas criadas aqui. É diferente de outros estados do Brasil. Temos muitos músicos bons também. Isso tudo a gente fica alegre em ver.”

Novo álbum a caminho
Mestre Solano continua compondo e está com um álbum novo engatilhado. “Não sei se vou gravar no final desse ano ou início do ano que vem. Tenho alguns trabalhos que quero lançar. Tenho 19 álbuns, quero completar os 20, para dar uma parada de gravação.”
O que ele sabe é que da música não se separa: “Tocar é o que mais gosto de fazer. Eu só faço agradecer ao público que me aplaude”.
Ele completa convidando todo mundo para o Circular deste domingo e para seu show na Praça do Carmo: “Convido todo o público para estar lá conosco no Largo do Carmo. E vão gostar muito do show. Espero todo mundo lá, para incentivar e dançar junto com a gente.”
Show de Mestre Solano
Hora: 18h
Local: Praça do Carmo – Rua Siqueira Mendes, s/n
A 63a edição do Circular Campina Cidade Velha tem patrocínio da Alubar e apoio da UFPA, via Fórum Landi e Mercedários-UFPA. A programação ocorre das 8h às 20h , em diversos espaços culturais situados na Campina, Cidade Velha e Reduto.
Confira a programação completa: Aqui