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“A pele que habito” abre o 2º Fórum Circular

O 2º Fórum Circular – Patrimônio, Cidadania e Sustentabilidade abre nesta quinta-feira, 21 de novembro, com cerimônia na igreja de Santo Alexandre e segue até dia 23, trazendo em sua programação debates, palestras e oficinas.

Foto: Otávio Henriques

Na abertura, além do cerimonial com representantes do poder público, patrocinadores e colaboradores do projeto, palestra sobre os avanços do projeto Circular e apresentação da revista Digital do Circular, será inaugurada a exposição “A Pele Que Habito”, na Galeria Fidanza, trazendo o universo material e imaterial do Centro Histórico de Belém, em especial, do bairro da Cidade Velha.

“Cláudio e Otávio são fotógrafos que possuem uma relação intensa com o Centro Histórico. Atuam no Circular há dois anos e umas tantas edições. Já Ursula, além de fotógrafa, é moradora da Cidade Velha.”

As imagens foram produzidas durante a atuação dos fotógrafos do projeto, Otávio Henriques e Cláudio Ferreira, ao longo de diversas edições do Circular, além do trabalho da pesquisa fotográfica realizada sob encomenda a fotógrafa convidada, Ursula Bahia, para o Mapa do Afeto, um desdobramento do Projeto Circular que busca estabelecer uma proximidade maior com moradores, suas memórias e suas formas de ocupação e relacionamento com esse território puderam ser melhor visualizadas.

Entrando em seu sétimo ano de atuação, o Circular tem se preocupado em se aproximar cada vez mais das histórias dos atores sociais desses bairros. Ser um promotor de oportunidades e possibilidades de consciência cidadã através da arte e da cultura.

Cláudio e Otávio são fotógrafos que possuem uma relação intensa com o Centro Histórico. Atuam no Circular há dois anos e umas tantas edições. Já Ursula, além de fotógrafa, é moradora da Cidade Velha. Há portanto, nesta exposição, um mosaico de momentos diversos, com o protagonismo do cenário do Centro Histórico de Belém.

As imagens autorais que integram a exposição foram selecionadas e inspiradas nas narrativas dos habitantes – antigos moradores e jovens de diversas idades, profissões e gêneros. Desvelam aos iniciantes na arte de flanar pelas ruas um espaço pleno de significados e teias de relações. A percepção dos códigos culturais locais é que possibilita a leitura e melhor usufruto desse espaço simbolicamente mapeado e com territórios delimitados pelas práticas e condição social, bem como as sociabilidades, complexidades, tensões e conflitos das relações ali estabelecidas.

Muito além de patrimônio cultural brasileiro a Cidade Velha e sua circunvizinhança, no olhar do morador e daqueles que vivenciam o seu cotidiano, apresenta nuances que escapam aos olhos de um simples visitante que se contenta em ver o monumental conjunto arquitetônico, urbanístico e paisagístico valorado e reconhecido pelo tombamento.

É para além daquelas paredes grossas e antigas que delimitam e definem a configuração das ruas que se encontra o que há ali de mais caro e precioso aqueles que ali habitam: a calma sombreada dos interiores; os quintais; a porta de casa; os becos e os espaços de rua apropriados para o lazer como aqueles pequenos espaços as proximidades do Mercado do Sal que constituem ora passagem, ora espaço doméstico; objetos e documentos carregados de referências familiares.

A relação com o rio presente nas memórias das brincadeiras e camaradagens de infância e nas histórias dos remadores; as praças; o grupo escolar; o Colégio do Carmo. A intrincada rede de relações sociais e a rua que se integra aos interiores pelos janelões e botequins confundindo as esferas pública e privada.

A Cidade Velha, pequeno fragmento urbano que constitui, no entanto, um microcosmo no universo da Região Metropolitana de Belém, é apresentada nesta exposição em algumas de suas nuances, não pela escala dos monumentos que ali se concentram e estabelecem uma hierarquia para o espaço e para aqueles que os ocupam, mas pela escala da rua, do bairro, da casa.

A “chave” para acessar essa outra cidade está simbolicamente representada nas fotos, mas pode ser acionada no convívio mais próximo com os moradores e, se desvela nas entrevistas realizadas por pesquisadores do projeto Circular no âmbito de um projeto intitulado “Mapa Afetivo da Cidade Velha”. As memórias individuais que fluem e se confundem nos relatos de jovens e dos mais antigos tornando-se coletivas e contribuindo para a significância daquele território.

Serviço

Abertura do 2º Fórum Circular – Patrimônio, Cidadania e Sustentabilidade. De 21 a 23 de novembro, no Museu de Arte Sacra. Mais informações: www.projetocircular.com.br/forumcircular ou 91 98134.7719 (whatsapp).

Texto com contribuições de Tamara Saré e Dorotea de Lima

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