O projeto mostra que a saúde – nossa e do planeta – pode vir da terra, por meio de uma alimentação baseada em plantas. Neste domingo, 2 de agosto, a Edição 62 do Circular Campina Cidade Velha também é para quem deseja conhecer novos caminhos para uma vida saudável. Em destaque, entre outras opções que você vai conferir na matéria a seguir, está um antigo parceiro, de volta à rede após alguns anos.
Conversamos com a psicóloga e educadora Andréa de Barros Mendes, que desenvolve o projeto Boca da Terra, no bairro da Campina. Neste domingo, ela retorna ao Circular oferecendo uma experiência para o aprendizado prático do que é a Alimentação Viva. O projeto, de alimentação à base de plantas, foi criado em 2018, ficou um tempo parado após a pandemia e agora está sendo retomado.
“Eu digo que é uma escolinha, porque ofereço alguns cursos, especialmente de Alimentação Viva, que é um tipo de alimentação que preserva a vitalidade dos alimentos in natura, sem passar por nenhum tipo de processamento industrial. Alimentos de origem vegetal e que contribuem muito para restaurar a nossa saúde, para mantê-la, e também para a saúde única, né: de pessoas, animais e do planeta”, explica Andréa.
Ao longo da manhã, haverá preparo e degustação de um suco de clorofila feito com sementes germinadas de girassol, maçã, couve e hortelã, e ensino sobre o processo de germinação das sementes. O público também poderá entender como os ingredientes podem contribuir para a vitalidade do organismo.
Entre os cursos oferecidos, além do suco de clorofila e da germinação de sementes, é possível aprender sobre brotos comestíveis, e como fazer leite e queijos vegetais. Andréa explica que a alimentação viva de que trata o Boca da Terra é crudivegana (com consumo de alimentos de origem vegetal que não são cozidos), onde a “estrela” são as sementes germinadas. E isso tem uma razão, segundo ela detalha:
“A semente, quando ela entra em processo de germinação, guarda em si toda a potência do vir a ser de uma árvore, que já está condensada ali na semente quando ela começa a germinar. Na Alimentação Viva, nós comemos sementes germinadas e também as preparações feitas a partir delas. E também dos brotos, por exemplo”.

Dividindo com as pessoas aquilo que faz bem
Psicóloga por formação e atuante na área há mais de 20 anos, Andréa começou a pesquisar alimentação focada na própria saúde, depois também de uma experiência como reeducadora alimentar, no princípio de sua vida profissional, atividade que exerceu por quatro anos. “Não que precisasse ser psicóloga para isso, mas achei uma feliz coincidência, porque acho que alimentação e psicologia têm muita relação”.
Andréa enfatiza que não é nutricionista, mas que mergulhou nas pesquisas sobre os alimentos em suas próprias vivências, até chegar aos princípios da alimentação viva. “O Boca da Terra é um projeto pessoal que venho conduzindo dentro das minhas possibilidades”, conta ela, que é funcionária pública municipal, atuando na psicologia social dentro da política de Assistência Social.
“O Boca da Terra surgiu a partir da necessidade de compartilhar o que aprendi como autodidata, buscando, pesquisando e definindo meu próprio ritmo de estudos, usando livros, vídeos e a prática, vivenciada no meu corpo, após focar totalmente na Alimentação Viva durante o período em que passei a morar na Ilha de Mosqueiro, entre 2016 e 2017”, relembra.
E ela continua buscando novos conhecimentos neste campo, para dividir com mais pessoas em novos cursos. “Senti necessidade de estudar mais, me capacitar. E aí fui para o Rio de Janeiro, para o projeto Terrapia, que funciona dentro da Fiocruz, a Fundação Oswaldo Cruz, para fazer os cursos básico e avançado de Alimentação Viva na Promoção da Saúde”, conta ela, que espera que o Boca da Terra se torne “um espaço para as pessoas que quiserem saber o que é Alimentação Viva, como funciona, aprender algumas receitas”.

Suco de clorofila: um começo
O suco de clorofila, cuja oficina vai acontecer dentro do Circular, é a porta de entrada para esse universo.
“Além da couve, tem a maçã que substitui o açúcar, a hortelã, que é uma erva aromática, como se fosse o tempero. Seria um suco, digamos, até certo ponto convencional, com a exceção de que ele não leva nenhuma água além da água estrutural presente nos próprios alimentos. Mas o maior diferencial é que ele vai levar sementes germinadas, no caso a semente de girassol. Então, vai ter broto de girassol”.
Para além do Circular, Andréa diz que o Boca da Terra deverá funcionar aos domingos, e que a intenção, futuramente, é ampliar a oferta de cursos. “Mais para frente espero oferecer também o curso de fermentados e desidratados, mas ainda depende de alguns equipamentos”.
O Boca da Terra fica na Rua Ferreira Cantão, 239, no bairro da Campina, e vai funcionar, durante o Circular do dia 2 de agosto, entre as 10h e 12h.
Outras dicas
Além da vivência alimentar no Boca da Terra, a edição de agosto do Circular Campina reserva outras opções para cultivar uma vida mais leve, com presença e conexão consigo mesmo, e com saúde. Confira a seguir:

Ateliê Jupati + ICA/UFPA
O Ateliê Jupati Galeria de Arte Multicultural se une ao Instituto de Ciências da Arte/UFPA neste Circular, em uma programação diversa e gratuita. E logo no comecinho, das 8h até 9h, tem Aula de Yoga com a Mestra Tunga Vidya. No prédio ICA, na Praça da República, s/n, ao lado do Teatro Waldemar Henrique – Campina.
Casa do Sol
O espaço, voltado à prática de Yoga e Pilates, além de eventos voltados ao bem-estar, abre mais uma edição do Vyva – Mercado do Bem-estar, neste domingo de Circular, 2 de agosto, das 8h às 14h, em parceria com a Casa Circular. Além de café da manhã e almoço com proposta saudável, tem autocuidado, decoração, bem-estar, moda consciente circular e trabalho manual criativo.
Das 8h30 às 12h, o espaço oferece oficina de pintura em xícara de vidro, com a facilitadora Maria Fernanda (Dicoremflor). A ideia é aprender técnicas simples de pintura, deixar a criatividade fluir e relaxar. O custo é de R$ 110 e inclui material e café da manhã especial. Inscrições e informações: 91-980857997. A Casa do Sol fica na R. Osvaldo Cruz, 207, em frente à Praça da República, na Campina.
Restaurante Purão Vegano
No coração do bairro da Campina, o restaurante é uma das referências de comida vegetariana em Belém, almoço self-service saudável e delicioso, perfeito para recarregar as energias durante o Circular. O funcionamento é de 11h30 às 15h. Fica na Rua Padre Prudêncio, 166, bem em frente ao Buraco da Palmeira, e próximo à Igreja de Sant’Ana.
Bistrô Café Club
O cardápio criado pela chef Fabi Soares tem delícias como brunch, toast, cafés quentes ou gelados feitos com grãos especiais, tapiocas recheadas salgadas e doces, e sucos 100% naturais e funcionais, em ambiente leve, com música suave. Funciona de 9h às 13h. Fica na Av. Gov. José Malcher, 147, no Reduto.
Chamma da Amazônia
A tradicional perfumaria amazônica participa pela primeira vez do Circular trazendo uma experiência olfativa, com experimentações de três fragrâncias (floral, cítrica e amadeirada) e uma imersão nessa história de cheiros que estão na memória afetiva dos paraenses. O espaço ficará aberto de 9h às 13h, mas a experiência será às 10h30, com apenas 30 vagas. Fica na Rua 28 de Setembro, 267, entre Presidente Vargas e Frei Gil, na Campina.
A programação completa, com horários, endereços e informações de todos os espaços participantes, está disponível aqui no site – Programação – Edições. E no Instagram @circularcampinacidadevelha.
A 62ª edição do Circular Campina Cidade Velha é realizada com patrocínio do Banco da Amazônia, por meio da Lei Rouanet, Ministério da Cultura e Governo Federal; e Alubar. E conta ainda com apoio institucional da Universidade Federal do Pará, por meio do Fórum Landi e do Complexo dos Mercedários.