A sede do GEMPAC – Grupo de Mulheres Prostitutas do Estado do Pará, localizada no bairro da Campina, na Rua Padre Prudêncio, foi invadida, saqueada e depredada no último sábado, 1º de agosto de 2026. Entidade deve lançar vaquinha virtual para recompor espaço.
De acordo com postagem feita por perfil do movimento no Instagram, foram destruídas as portas e levados equipamentos, eletrodomésticos (fogão e botijão de gás), além de quadro de distribuição elétrica, fiações, cadeados e outros materiais. Documentos e arquivos institucionais também foram destruídos e parte do telhado foi danificado, acumulando prejuízos que comprometem o funcionamento da instituição.
Criado há 36 anos, 29 deles funcionando com base na Campina, o GEMPAC vem atuando incansavelmente pelos direitos das mulheres, pela saúde, cultura, cidadania e direitos humanos na Amazônia, com ações de acolhimento, resistência, formação e empoderamento, especialmente para pessoas e grupos vulnerabilizados.
“O GEMPAC tem um trabalho de muito tempo, ações com as trabalhadoras sexuais e um trabalho de auto-organização política das prostitutas”, destaca Lourdes Barreto, presidente histórica da entidade, que não vê a invasão como uma agressão ao trabalho do grupo. “Até porque o GEMPAC é muito querido em Belém, por tudo que ajudou a construir na saúde, na cultura”.
Lourdes entende que o roubo reflete a situação em que se encontra o bairro da Campina. “É fruto de uma exclusão social total. A nossa maior sorte é que 80% do nosso acervo está salvo em memória”, conta.
A preocupação com a situação do bairro, para além das ações diretas de segurança pública, é reforçada na postagem do GEMPAC nas redes sociais: “O território também vem sofrendo com o abandono, a falta de políticas públicas permanentes, a precarização dos espaços públicos e a ausência de equipamentos sociais e mecanismos de proteção e cuidado para quem vive e circula diariamente pelo bairro”, destaca o texto no Instagram.

Segurança e reforma urgente do prédio
Lourdes diz que o prédio que abriga o GEMPAC está em situação insalubre e que a entidade tem um projeto para reformá-lo, mas que ainda estão em busca de parceiros para concretizá-lo.
“Realmente está numa situação difícil. Estamos conversando com as pessoas, estamos vendo orçamento para colocar as portas. E devemos abrir uma vaquinha on-line”.
Em nota enviada à reportagem, a Polícia Militar disse não ter sido acionada pelos canais oficiais de emergência sobre o caso. Perguntada sobre qual o efetivo atua no bairro da Campina e de que forma, assim como quais as maiores questões de segurança pública pertinentes ao bairro, a corporação informou que “o policiamento é realizado de forma permanente no bairro pelo 2° Batalhão”, destacando “a importância do registro da ocorrência para o direcionamento das ações de policiamento”.
Já a Polícia Civil, também em nota, “informa que o caso será apurado pela Seccional do Comércio, através de inquérito. Perícias foram solicitadas e testemunhas serão ouvidas.”
A Polícia Civil destaca ainda que a população pode ajudar. “Informações que auxiliem no trabalho policial podem ser repassadas, de forma anônima, pelo Disque-Denúncia 181 ou pelo canal Iara, via WhatsApp, no número (91) 3210-0181. O sigilo é garantido”, diz a nota.