Uma sessão solene marcou a posse da nova diretoria do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, no Solar Barão de Guajará, sede da entidade na Cidade Velha, durante a noite desta quarta-feira, 13 de maio.
Mestre em Geografia, graduado em Turismo e doutorando na área, além de professor titular da UFPA, Álvaro Negrão do Espírito Santo assume a presidência pelo triênio 2026-2029. Anaíza Vergolino e Silva, que presidiu a entidade nos últimos anos, recebe o título de presidente honorária.
De acordo com o novo presidente, ocupante da cadeira nº 53, cujo patrono é Carlos Rocque, o momento é de consolidar os projetos culturais que vêm sendo desenvolvidos pelo IHGP e ampliar sua posição como um polo de irradiação de conhecimento e de valorização do patrimônio histórico e cultural do Pará.
“A minha posse faz parte de um processo de continuidade do trabalho desenvolvido pela nossa presidente Anaíza Vergolino e Silva, que, durante 16 anos, fortaleceu o Instituto e conseguiu desenvolver inúmeros projetos voltados para o protagonismo do IHGP no cenário cultural do Estado.”

Álvaro Espírito Santo diz que seguirá “com a missão de consolidar as bases administrativas do IHGP, tornando o Instituto uma fonte de projetos que fortaleçam o patrimônio cultural e que consiga desenvolver novas ações para avançar nesse processo de protagonismo do Instituto”.
Entre os projetos que devem ser articulados pela entidade ainda este ano está a implantação de um programa de pós-graduação em Patrimônio, uma das metas principais.
“Vou assinar hoje, no dia da posse, a criação da comissão especial de pós-graduação, que vai ser presidida pelo professor Gilberto Rocha, que também é professor da UFPA e foi diretor do Núcleo de Meio Ambiente da UFPA durante muito tempo.”
De acordo com o presidente, Rocha “vai desenvolver uma proposta de pós-graduação dentro do foco de atuação do IHGP, usando como docentes os sócios do Instituto. E isso será aberto ao público interessado nessa área”, disse, horas antes da cerimônia de posse.

Recuperação do Solar Guajará já tem projeto
Além da pós-graduação, outra boa notícia para o patrimônio histórico é o avanço do processo de recuperação do Solar Barão de Guajará, sede do IHGP. A construção do século XIX, com três pavimentos e pátio interno, é tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 1950, mas vem sofrendo com o impacto do tempo.
“Nós temos em análise no BNDES um projeto para a recuperação do prédio, pela Lei Rouanet, e temos já em negociação empresas que vão patrocinar atividades do IHGP nos próximos anos. Isso vai permitir que a gente tenha mais fôlego para nos dedicarmos às nossas obrigações de preservação do patrimônio cultural de Belém”, adiantou Álvaro.
Criado em 3 de maio de 1900, e completando, portanto, 126 anos de atuação, o IHGP está atualmente com sua constituição completa. São 70 sócios, entre estudiosos e pesquisadores das mais diversas áreas do conhecimento, eleitos pelo corpo da entidade após candidaturas apresentadas em um processo que se inicia com edital público, assim que uma vaga é aberta.
Álvaro do Espírito Santo lembra que o Instituto, ao lado do Museu Emílio Goeldi, teve um papel de liderança na área científica em Belém entre o final do século XIX e a primeira metade do século XX. Algo que foi enfraquecido “por uma série de questões de natureza estrutural”.
Ele aponta um processo de retomada a partir da gestão da professora Anaíza Vergolino, “que imprimiu um ritmo maior às atividades culturais e científicas do Instituto”.
“Agora, o meu desafio é incrementar ainda mais esse protagonismo do IHGP como um centro de produção de ciência e cultura. Nós temos um papel historicamente relevante e precisamos ter uma atuação mais ativa”, disse.

Parcerias institucionais
Para isso, o acadêmico aponta que um objetivo importante é a consolidação da gestão e de parcerias estratégicas, como com o Projeto Circular Campina Cidade Velha.
“Vamos ter uma estrutura de gerenciamento organizada e pretendemos manter interlocução com todos os outros entes do sistema cultural do Estado, inclusive o Projeto Circular, que é sempre parceiro do IHGP nas ações realizadas. Estamos, inclusive, representados no conselho do Circular. Vamos inaugurar um período em que será intensificado esse intercâmbio do IHGP com a sociedade”, adianta.
Para Álvaro, relações como essas são fundamentais para a valorização do Centro Histórico de Belém.
“Nenhum ator isolado vai conseguir desenvolver um trabalho produtivo no sentido de preservar o patrimônio. Necessariamente, isso precisa ser feito por meio de uma aliança entre os vários entes. No caso do Circular e do Instituto, já existe uma parceria, e a minha expectativa é que consigamos, nesse meu período de gestão, ampliar essa cooperação”, disse o novo presidente.