O Centro Cultural do Banco da Amazônia (CCBA) voltou ao funcionamento normal, nesta terça-feira, 15 de setembro, após o fechamento de 10 dias em função da manutenção do prédio.
Seguem abertas exposições que estão encerrando ciclo entre setembro e outubro, dando espaço a novidades e comemorações do primeiro ano de funcionamento do espaço.
Até 20 de setembro, o público ainda pode visitar “Futebol: Exposição Nacional de Humor do Banco da Amazônia”. Com curadoria de J. Bosco, a exposição reúne artistas de diferentes regiões do país em torno do futebol como tema para o humor gráfico. Charges, cartuns, caricaturas e quadrinhos apresentam diferentes olhares sobre um dos elementos mais presentes na cultura brasileira, aproximando esporte, cotidiano, crítica e humor.
Até 9 de outubro, continua em cartaz “Povos Amazônicos Não Morrem, Viram Sementes”, uma homenagem do artista visual rondoniense Rafael Prado aos defensores da Amazônia.
Já, a mostra “Floresta Encantada”, que segue até 18 de outubro, com uma experiência imersiva onde tecnologia, a partir da realidade virtual, natureza e imaginação se encontram. Criada pelo duo VJ Suave, formado pelos artistas Ygor Marotta e Ceci Soloaga, a mostra se inspira na fauna e flora amazônicas e dialoga com as narrativas dos povos originários.
De acordo com Ana Amélia Fadul, gerente do CCBA, uma das novidades nessa reabertura é a expansão de atividades para novos horários.
“A gente está consolidado aos fins de semana com a programação cultural. E nós temos um público muito intenso de crianças e jovens, recebemos muitas turmas escolares. Mas a gente tem a necessidade de expansão para um público mais maduro, adulto. Então, vamos começar a fazer algumas oficinas em dias de semana, à noite, para agregar essas pessoas”.
A primeira ação nesse formato, adianta Ana Amélia, é uma oficina de pintura de ecobags, com a artista plástica Ana Baetas, na próxima sexta-feira, dia 18, das 18h30 às 20h30, com 20 vagas disponíveis de forma gratuita. “É a primeira oficina que a gente está fazendo nesse formato noturno, para que seja um lugar de pertencimento também para quem trabalha, para que tenham a oportunidade de espairecer, aprender alguma coisa nova, de repente algo para uma renda extra”, completa Ana Amélia.
Mas serão mantidas as atividades aos fins de semana: neste sábado, 19 de setembro, de 10h às 12h, tem oficina de pintura em realidade virtual, dentro da programação da mostra “Floresta Encantada”; e no domingo, 20, de 10h30 às 12h30, oficina de teatro de sombras com o ator e arte-educador Cleber Cajun.
O que vem por aí: Burle Marx no CCBA
Na próxima semana, no dia 22 de setembro, já tem novidade expositiva, com um projeto aprovado no edital de ocupação do CCBA: “Burle Marx – Expedição Amazônia”.
“O (Roberto) Burle Marx, que é um arquiteto paisagista de importância internacional, quando estava vivo, fez uma expedição de mapeamento de espécies vegetais na Amazônia. Eles rodaram mais de 40 mil km em uma Kombi, que vai ganhar uma releitura na exposição, já estou dando spoiler”, brinca Ana Amélia.
De acordo com Fadul, a exposição reúne relatórios técnicos, documentos que estavam na Fundação Burle Marx e Sítio Burle Marx, hoje geridos pelo Iphan.
“A exposição surge de uma pesquisa nesses documentos, com fotos, vídeos, para mostrar o que foi esse trabalho e como isso ainda é valoroso para a gente pensar na diversidade que a Amazônia tem que precisa ser preservada”, completa a gerente do CCBA, que também antecipa um grande projeto do fotógrafo e educador Miguel Chikaoka, a exposição “Fluxos – Miguel Chikaoka”, que vai ocupar duas galerias inteiras do CCBA, já no finalzinho de outubro.
Catalisador de cultura no centro histórico
Localizado na Avenida Presidente Vargas, dentro de um conjunto de instituições culturais no bairro da Campina (incluindo o Theatro da Paz, agora patrimônio cultural mundial, e o histórico Cine Olympia, o mais antigo do país em atividade), o CCBA, em um ano de atividades, já se tornou um importante catalisador para a ocupação cultural e criativa do centro histórico de Belém.
Com sua programação gratuita, vem complementando a missão que o Banco da Amazônia realiza no apoio a projetos culturais como o Circular Campina Cidade Velha, patrocinado pelo banco desde 2016.
“O Banco da Amazônia atua há mais de 20 anos com patrocínio cultural, social e ambiental. Inclusive, é um dos patrocinadores do restauro do Cine Olympia. Então, a gente migrou de uma galeria pequena para um centro cultural que tem mais de 4 mil m², já numa estratégia do centro ser um instrumento de comunicação e de fazer essa crescente de investimento na indústria da cultura”, conta Ana Amélia.
Ela lembra ainda que o banco foi responsável por R$ 6 milhões dos R$ 24 milhões destinados a projetos culturais pela Lei Rouanet Norte e que 62% dos projetos aprovados no edital do CCBA 2026-2027 são projetos da região.
E diz que o plano é expandir o trabalho do CCBA para outros municípios. “A gente está em tratativas com as prefeituras de Ananindeua e Marituba, de termos de cooperação técnica, para levar algumas ações de cultura a esses municípios. Tem projetos a longo prazo de fazer outros espaços de cultura na Amazônia Legal”, diz.
Um ano bem-sucedido
Inaugurado em 9 de outubro de 2025, o Centro Cultural do Banco da Amazônia já contabilizou, até agora, mais de cem mil visitantes ao longo de seu primeiro ano de funcionamento.
“Foram seis grandes exposições montadas, incluindo duas mostras de alcance internacional, e mais de 50 oficinas gratuitas oferecidas – sempre conectando ações culturais com a ideia de aquecer a economia circular”, destaca Ana Amélia Fadul.
Esse primeiro ano será celebrado com uma semana especial comemorativa, entre 12 e 16 de outubro. “Teremos uma ação especial no Dia das Crianças e também para o Dia dos Professores, e também um show especial, o ‘Brega de 1ª Classe’, com o Kim Marques”, antecipa Ana Amélia.
A programação abre caminho para novas ações do espaço cultural, que deve ter uma ampliação, conta a gerente: “No segundo semestre, a gente deve abrir a biblioteca, e estamos fazendo a consulta para eleição de parceiros para instalar nossa lojinha e um restaurante/café. Também estamos no processo de seleção para implantar o Mini Lab de inteligência artificial, que vai oferecer cursos de robótica e IA”.
A segunda etapa da obra do CCBA prevê ainda a implantação de um miniauditório, pensado para receber programações musicais e cênicas. Ainda não há data prevista. Até lá, os projetos dessa natureza aprovados em edital vão seguir em espaços parceiros, como o Theatro da Paz e o Teatro Waldemar Henrique.
Serviço
Centro Cultural Banco da Amazônia – Funcionamento de terça a sexta-feira, das 10h às 16h e aos sábados, domingos e feriados, das 10h às 14h. Av. Presidente Vargas, 800 – Campina – Belém-Pa.