História e patrimônio marcaram passeios na edição 60 do Circular

Foto: André Butter

No meio da rapidez da vida diária, talvez seja difícil estar verdadeiramente presente no espaço que ocupamos. É por isso que, a cada edição, o Circular Campina Cidade Velha convida as pessoas a aproveitar e redescobrir Belém, suas ruas, arquitetura, suas riquezas, e claro, também seus desafios.

A primeira edição do projeto em 2026 foi realizada no dia 12 de abril, envolveu cerca de 40 espaços parceiros, com uma intensa programação de arte, cultura, gastronomia durante todo o dia, em cada um deles. Mas também ofereceu circuitos, que maracaram o domingo com educação patrimonial e acesso à cultura.

O Circuitinho Circular fez trajeto envolvendo a Casa das Onze Janelas, Forte do Presépio, e o Museu de Arte Sacra.  O Fórum Landi propôs um rolê pelo patrimônio na Cidade Velha e o Roteiro Geo Turístico exaltou os 399 anos do Ver-o-Peso, num passeio pelo seu entorno.

No Circuitinho, as crianças puderam observar, de maneira lúdica e sensorial, um pouco da história da cidade, começando por um patrimônio cultural: experimentando e conhecendo as ervas de um banho de cheiro.

“Na minha casa, quando a roupa era lavada, minha avó usava essa erva ao final para perfumar. Era como o amaciante daquela época”, indicava a pedagoga Luci Azevedo, presidente da Associação Circular e idealizadora do Circuitinho.

Todas as informações foram conectadas à realidade das crianças, como por exemplo a antiga caixa de correios, em frente à Casa das Onze Janelas, lembrada pela Tia Oti como o “WhatsApp daquela época”. Ao final, também teve uma oficina de Libras para as crianças e adultos.

Circuitinho, finalizando o passeio com LIBRAS e desenhos, na Galeria Fidanza. Foto: André Butter

A designer Tita Padilha foi com os filhos gêmeos Martin e Pilar e o pequeno Tomás e se juntou à irmã e sobrinhos para fazer parte da programação.

“Cria um vínculo importante com a cidade desde cedo, porque eles não têm noção da história da cidade. E essa vivência coletiva, com outras crianças, com essa apresentação lúdica, a Libras, acho importante ter essa vivência para além do familiar, como uma comunidade mesmo”, disse Tita.

Petra, de 3 anos, ficou bem à vontade no Museu de Arte Sacra. “Ela adora esse tipo de atividade. E trazê-la para participar é importante, pelo pertencimento à cidade em que ela nasceu, de ter essa visão para o futuro ancorada no passado”, destacou a mãe da menina, a psicanalista Lorena Luz.

Capela de São João – Passeio do Fórum Landi. Foto: Divulgação.

Aulas aberta pelas ruas da do centro histórico

O patrimônio material foi foco do Fórum Landi-UFPA, coordenado pela professora da Faculdade de Arquitetura da UFPA Roberta Rodrigues, que conduziu uma aula aberta pelas ruas do centro histórico, na Cidade Velha.

O trajeto começou no Forte do Presépio, onde a ativista Hevely Maia Tupinambá, do Coletivo Murukutu Tupinambá (@murukututupinamba), apresentou a perspectiva dos povos originários e da Mairi que existia antes da chegada do colonizador português.

O passeio seguiu pelo Palácio Lauro Sodré, a Igreja de São João e a primeira rua de Belém, a Siqueira Mendes, até a sede do Fórum Landi, na Praça do Carmo, onde os participantes puderam apreciar a enorme maquete de Belém que vem sendo construída e atualizada há dez anos pelos estudantes da FAU.

Além de destacar as linhas da arquitetura de Landi e aspectos construtivos peculiares, como a pintura em quadratura da Igreja de São João, técnica ilusionista da qual é único exemplo no Brasil, Roberta Rodrigues também pontuou questões contemporâneas.

Circulando pela história da cidade. Foto: Divulgação

Ela usou. como exemplo, a substituição do calçamento original do centro e a necessidade da mobilização permanente da sociedade para defender interesses coletivos relacionados à história da cidade. “Foi isso que evitou, por exemplo, que a travessa Félix Roque, única que dá acesso ao rio, fosse fechada”, destacou.

Servidora da UFPA, a piauiense Kariane Amorim aproveitou a aula para conhecer mais sobre Belém, onde mora há pouco tempo. “Vim para trabalhar em Belém, sou do Piauí, e me interessei por saber mais sobre a história da cidade e do Brasil como um todo.”

A estudante de arquitetura Ana Carolina Maués disse ter sido uma oportunidade de entender melhor elementos construtivos e das soluções de planejamento urbano que está estudando na universidade. “A gente vê a progressão de tudo o que foi formando a cidade com o tempo. Sou muito fã das igrejas e é muito interessante entender como elas foram pensadas”.

Já na Campina, a professora Goretti Tavares, circulou com o Roteiro Geo-Turistico é organizado pelo GGEOTUR/UFPA, celebrandou os 399 anos do complexo do Ver-o-Peso, com saída do Mercado de Carne, passando pelo Solar da Beira, Erveiras, Mercado de Peixe, Pedra do Peixe, Doca do Ver-o-Peso, setores da Feira, Mercedários e Boulevard Castilho França.

A próxima edição do Circular Campina Cidade Velha será em junho, no primeiro domingo, dia 7. Já anote aí na sua agenda e aguarde que teremos novidades! Acompanhem nossas redes @circularcampinacidadevelha

Reportagem: Aline Monteiro | Edição: Luciana Medeiros
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