CCJE une cultura e cidadania no Circular

Trabalho de Francelino Mesquita

O casarão do início do século 20, localizado na rua João Diogo, no bairro da Campina, abriga, desde 27 de novembro de 2010, o Centro Cultural da Justiça Eleitoral do Pará, estará presente no primeiro Circular de 2026, expondo arte contemporânea e memória da democracia brasileira.

Parceiro constante dos circuitos do projeto, o centro estará aberto no próximo dia 12 de abril, com uma nova programação, mas desde esta quinta-feira, 9, quem quiser, já pode visitar a exposição “Amazônidas”, realizada pelo Instituto Mulheres Artistas da Amazônia.

São 13 artistas, com trabalhos em diferentes linguagens, da fotografia à arte têxtil, passando pela literatura e pintura. “Nós fizemos um movimento contrário e levamos essa exposição primeiro para o Rio de Janeiro, no Centro Cultural dos Correios, porque, na época da COP30, quando estreamos, não havia espaço disponível para expor em Belém. Ficamos lá quase três meses e foi um sucesso”, conta Andréa Noronha, fotógrafa e artista plástica, presidente do IMAA. “É uma exposição itinerante, a gente está levando para quem abrir espaço, e agora vamos abri-la no Centro do TRE”, completa.

Além de Andréa Noronha, fazem parte da mostra as artistas Aracely Miranda, Ariany Machado, Cristina Gemaque, Lia Gemaque, Luciana Valinoto, Maria Libonati, Marise Maués, Nazaré Mello, Paula Guedes, Rosana Uchôa, Rose Maiorana e Rose White e, como convidados, os artistas Francelino Mesquita, Jó Sales, Osvaldo Gaia e Tagore.

Durante o dia 12 de abril, haverá visita guiada com artistas participantes. “Todos estarão presentes, em diferentes horários, para falar sobre sua trajetória, seus processos criativos. É uma troca importante e uma maneira de incentivar as pessoas que gostam de arte a dar continuidade a seus sonhos”, adianta Andréa.

Salão expositivo do Centro Cultural do TRE

Um passeio pela história eleitoral brasileira

Além de “Amazônidas”, o público poderá visitar a exposição permanente, “O Alvorecer da Justiça Eleitoral no Pará – 1932 a 1937”, que ganha um sentido especial neste ano de 2026, quando os brasileiros voltarão às urnas para escolher o presidente, governadores, senadores, deputados federais, estaduais e distritais.

A mostra registra a primeira fase de existência da Justiça Eleitoral no Pará, criada no ano de 1932, a partir do primeiro Código Eleitoral, no qual também ficou estabelecido o direito ao voto feminino, e possui recursos acessíveis para pessoas com deficiência visual.

“Também estamos articulando uma roda de conversa e, como estaremos em abril, mês dedicado aos povos indígenas, no nosso centro de multimídia vamos exibir, em looping, vídeos com temática indígena”, adianta Nathalie Castro, coordenadora da Escola Judiciária Eleitoral, à qual o Centro Cultural é ligado.

Foto: Marise Maués

Centro ajuda a aproximar população da justiça eleitoral

O Centro Cultural da Justiça Eleitoral do Pará é mais um equipamento de cultura e de arte, criado principalmente para preservar a memória dos processos eleitorais no estado. Anexo à sede do Tribunal Regional Eleitoral do Pará, o casarão abriga dois espaços expositivos, um deles com a exposição permanente que conta a história da Justiça Eleitoral do Pará, e outro reservado a mostras temporárias, de temáticas e formatos livres, que são definidas em um processo de seleção por edital.

Segundo a coordenadora da EJE, Nathalie Castro, o Centro Cultural foi criado especialmente para recuperar, salvaguardar e comunicar a memória social-eleitoral. E, a partir da arte e da cultura, cumpre um importante papel de aproximar as pessoas da Justiça Eleitoral, da compreensão de suas funções e do exercício da cidadania.

“O Tribunal Eleitoral é visto, em geral, como um órgão mais distante das pessoas, que organiza as eleições e julga processos, e o Centro Cultural vem exatamente para aproximar a sociedade a partir da gestão da memória, porque nós somos detentores de documentos públicos de alto valor histórico, de informações a respeito das urnas eletrônicas, do histórico das eleições no Pará, como a primeira mulher candidata, o primeiro título de eleitor, o primeiro mesário”, informa Nathalie.

“É um espaço ao qual a sociedade pode vir como a um museu, um espaço de deleite, inclusive para o público interno do TRE-PA, onde você pode usufruir do próprio prédio, no centro histórico. É um prédio que tem um átrio, um jardim interno, um equipamento que difunde cultura, conhecimento, gestão da memória, que recebe exposições que não têm relação direta com as eleições, mas também tem uma exposição permanente que preserva a nossa história”, destaca a coordenadora.

Serviço

Centro Cultural da Justiça Eleitoral do Pará
Onde fica: Rua João Diogo, 254, anexo ao prédio-sede do TRE-PA – Campina
Funcionamento: O centro é aberto normalmente de segunda a sexta-feira, de 8h às 14h. No dia 12 de abril, domingo, por conta do Circular, o espaço estará aberto de 9h às 14h.
Preço: A entrada é gratuita.
Saiba mais: https://www.tre-pa.jus.br/institucional/memoria-e-cultura/centro-de-memoria
No site do Centro há disponível tour virtual ao espaço e também audiodescrição.

Texto: Aline Monteiro | Edição: Luciana Medeiros

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