A partir de agora, a Universidade Federal do Pará (UFPA) e a Associação Circular, que realiza o Projeto Circular, passarão a desenvolver novas atividades conjuntas voltadas à pesquisa, ensino e extensão universitária, abrangendo temas como identidade sociocultural, patrimônio histórico-cultural, sustentabilidade e economia circular, com foco na cidade de Belém/PA e na Amazônia.
A parceria que já existe há dez anos, agora está formalizada, com o Termo de Protocolo de Cooperação Técnica, Acadêmica, Cultural e Institucional, assinado ontem (08) pela Associação Circular e a UFPA, no prédio Mercedários UFPA, realizando um sonho antigo de fortalecimento da cadeia cultural, das ações de preservação do patrimônio e do diálogo com a população do lugar.
A partir do Termo de Cooperação, Circular e UFPA buscam fomentar intercâmbios de conhecimento e experiências por meio de eventos acadêmicos, culturais, e pesquisas colaborativas, com uma abordagem multidisciplinar e voltada ao desenvolvimento regional sustentável. Não há transferência de recursos financeiros, mas o protocolo prevê a proteção de resultados intelectuais, como patentes e inovações, que serão compartilhados igualmente e com a assinatura, o Circular também ganha uma sala no andar térreo do Mercedários UFPA, que servirá como sede para o trabalho da equipe gestora.
Inaugurada com pompa, descerramento de uma fita e intervenções emocionadas, a sala assegura concretamente um espaço físico para uma iniciativa que foi pioneira em realizar ações no prédio histórico da cidade com o I Fórum Circular para compartilhar, refletir e propor frentes e ações relacionadas ao patrimônio histórico. “São 10 anos batalhando. Muitas ações aconteceram de maneira informal. Hoje a gente vê um sonho se realizando. Só tenho a agradecer a confiança e que a gente continue essa parceria muito forte”, declarou Makiko Akao, idealizadora do Circular.
“Estamos formalizando o que eu chamo carinhosamente de união estável com a universidade”, brincou Adelaide Oliveira Pontes, que também é a primeira presidente da Associação Circular, formalizada no final do ano passado. “Quando o Circular era só uma sementinha lá estava a universidade regando e adubando esse sonho que é um sonho coletivo. A UFPA é a parceria mais longeva e que muito nos orgulha”, ressaltou.
Além da presidente da Associação, Adelaide Oliveira e do Reitor da universidade, Emmanuel Tourinho, também assinam o termo, como testemunhas, Makiko Akao, idealizadora do projeto Circular, Profa. Dra. Roberta Rodrigues, Diretora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFPA e Coordenadora do Fórum Landi; Simone Neno, Coordenadora Editorial da Editora da UFPA; Profa. Dra. Thaís Sanjad, Diretora do Mercedários UFPA; e Profa. Dra. Maria Goretti Tavares, coordenadora do projeto de extensão Roteiros Geo-Turísticos.
Parceria vem desde o início do projeto
O Circular nasceu há 10 anos e neste percurso conquistou parceiros como a Universidade Federal do Pará que a cada edição do projeto se tornava um ator fundamental nas ações de ressignificação e criação de vínculos da população com o centro histórico de Belém. Ao longo deste tempo, as parcerias com a UFPA foram diversas, iniciando ainda em 2014.
No primeiro ano do projeto, o Fórum Landi, espaço da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Federal situado na Cidade Velha, entrou no circuito, por meio das articulações feitas com o arquiteto e então diretor do Fórum Landi, o saudoso professor Flávio Nassar. Até hoje o Fórum Landi, não só integra as edições com programação própria, como também oferece uma sala de base de produção para o projeto, na Praça do Carmo.
Em 2015 foi a vez do projeto de extensão da UFPa Roteiros Geo-Turísticos, sob a coordenação da professora Maria Goretti da Costa Tavares, que passou a integrar a programação do Circular oferecendo para a população roteiros guiados nos bairros. Naquele ano houve também a presença da ed. UFPA nas ações do Circular, garantindo descontos, vale-livros nas obras produzidas pela universidade.
“Essa interação da UFPA com o projeto circular foi fundamental pra gente decidir essa vocação pra o mercedários UFPA porque, a partir dessa ação do projeto Circular, compreendemos ainda mais sobre o desafio que há de se envolver ações que representem ou repercutam na valorização do centro histórico de Belém. Desde o início pensamos em ter a presença do Circular aqui. Ele é parte de tudo o que nós pensamos pra cá”, definiu Emmanuel Zagury Tourinho, reitor da UFPA.
A diretora do Mercedários, Thais Sanjad, lembrou que o complexo localizado no centro é a principal presença da UFPA nesta região da capital pela quantidade de projetos e entes da universidade no local e especialmente parcerias estabelecidas. “Essa parceria com o Circular é muito importante pra gente. Já é um projeto de muito sucesso com ações que visam melhorar a vida das pessoas que estão no centro histórico. A gente quer muito que o Mercedários abrigue cada vez mais esse objetivo de contribuir pra melhorar não só a presença do patrimônio edificado, mas principalmente melhorar a vida das pessoas que estão neste espaço”, explicou Thaís.
O protocolo assinado entre o projeto Circular e a UFPA formaliza o que é realizado há uma década, proporcionando a troca de conhecimentos gerados na academia e a mobilização cultural e comunitária do Circular, além do conhecimento trazido pelas pessoas que estão no centro histórico e por aqueles que o frequentam em torno dos eixos das artes, memória, sustentabilidade e conservação e valorização do patrimônio-histórico-cultural de Belém.
A UFPA foi um “farol” e, em um momento de pandemia e ataques à cultura, mostrou que era possível sonhar e realizar. Um dos sonhos sonhados juntos foi a realização em 2018 do 1º Fórum Circular de Patrimônio Sustentabilidade e Cidadania, no auditório térreo dos Mercedários que passou a ser território da UFPA em 2017. Coordenado pela arquiteta urbanista Dorotéa Lima e pela produtora Tamara Saré, que estava como coordenadora do Circular na época, o Fórum também foi possível graças à conquista do Prêmio Rodrigo Franco de Melo de Andrade, por meio do qual o IPHAN destaca iniciativas no campo da educação patrimonial. Entre 2016 e 2019, também estava na equipe a jornalista e professora Yorranna Oliveira.
Projeto Circular Campina Cidade Velha e Associação Circular
O momento foi especial para a equipe gestora do projeto Circular Campina Cidade Velha que também integra a diretoria da Associação Circular, que hoje reúne Adelaide Oliveira, na presidência da associação e na coordenação do projeto, Luci Azevedo, Diretora de Projetos da Associação e na produção executiva do projeto e coordenação do Circuitinho – projeto de educação patrimonial para crianças, que é realizado dentro das edições de domingo.
A jornalista Luciana Medeiros, no projeto desde 2015, assume a Diretoria de comunicação da Associação, a Coordenação de Comunicação e editoria da revista digital do projeto. Também integram a equipe do projeto, o fotógrafo Cláudio Ferreira e dos produtores Nielson Bargas e Fábio Azambuja, que fortalecem a equipe de produção nas cinco edições do projeto realizadas a cada ano. Doroteia Lima segue coordenadora do Fórum que deverá ganhar a sua 4ª edição em 2025 e 40 espaços culturais parceiros, que abrem suas portas a cada edição.
“Tudo foi muito especial, desde o início do projeto. Entrei na equipe em 2015, já articulando com Makiko Akao a Marujada de Bragança à Belém como uma celebração do Circular pelo aniversário dos 400 anos de Belém, parceria esta com o Banco da Amazônia, que segue como parceiro e patrocinador do projeto até hoje”, comenta Luciana Medeiros.
Desde então o Circular vem realizando suas edições, chegando no próximo dia 20 de outubro a sua 53ª edição. “Os primeiros anos foram estruturantes, com metas estabelecidas para os três primeiros anos. Criamos, em 2016, a Revista Circular digital, que lançará este ano sua 10ª edição e, em 2017, realizamos o primeiro documentário. Já fizemos o segundo e agora vamos lançar o terceiro, com apoio da LPG. Em 2018, também realizamos oficinas educativas e o Fórum que nos conectou então, de vez, à UFPA”, diz Luciana Medeiros.
Após as gestões de Makiko Akao, entre 2014 e 2017, de Tamara Saré, entre 2018 e 2019, a jornalista e Mestre em Artes, Adelaide Oliveira, recém saída da presidência da Funtelpa, é convidada para assumir a coordenação, passando pelos dois anos de Pandemia , 2020 e 2021. Em 2022 seguiu na função formalizando junto com a equipe gestora a criação da Associação, efetivada em 2023. A gestão inicia este ano e segue até final de 2026.
Texto: Ralídia Carvalho – jornalista