Em 2026, quando o Círio de Nazaré chega à 234ª edição, o Museu do Círio, equipamento criado para salvaguardar a memória da devoção a Nossa Senhora de Nazaré ao longo de tantos anos, completa quatro décadas.
Neste Círio, o lugar está fechado, mas por uma boa causa: como presente nesta comemoração, desde abril o museu passa por uma grande obra de revitalização, que também irá ampliar seu espaço expositivo, com um segundo piso para mostras temporárias. No entanto, ainda não há previsão de conclusão das obras e reabertura.
A obra é financiada por meio da Lei Rouanet, com patrocínio das empresas Hydro e Equatorial e apoio do Banpará, e inclui a recuperação da fachada e das áreas internas do prédio, na Rua Padre Champagnat.
O projeto é realizado pelo Instituto Sotaques, em conjunto com a LP Arte Soluções Culturais, sob o acompanhamento do Sistema Integrado de Museus e Memoriais (SIMM/Secult). A intervenção vai mais que duplicar a área do museu, garantindo também adaptações para acessibilidade universal, incluindo rampas de acesso.
Obra vai ampliar espaço ocupado pelo museu
De acordo com informações divulgadas pela Hydro em seu site, as obras vão ampliar o equipamento cultural para uma área total de 1.288 m². O primeiro piso passará a abrigar a exposição de longa duração do acervo idealizado em 1986 pelo jornalista, escritor e historiador Carlos Rocque.
No piso superior, haverá uma reserva técnica, além de outra área de exposição. A obra também prevê a reabertura do “Jardim do Tempo”, uma área de convivência aberta à comunidade, reintegrando o espaço ao ambiente urbano.
“A obra está sendo feita com todo o cuidado, por ser um prédio histórico, e com o acompanhamento do Iphan [Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional]. A restauração e adaptação do prédio em si já estão bem adiantadas, mas depois da obra física, há toda a parte de expografia para ser preparada”, destaca a diretora do Museu do Círio, Maria do Céu Braga Martins.
“Teremos, no piso de baixo, uma exposição de longa duração com o acervo do museu, e o andar de cima será usado para exposições temporárias, educativas, e vai incluir também documentários, audiovisuais”, adianta a diretora.
Do subsolo da Basílica à Feliz Lusitânia
O museu, criado no subsolo da Basílica de Nazaré, ocupa o imóvel no Centro Histórico desde 2002, a partir da implantação do projeto Feliz Lusitânia, realizado pela Secretaria de Estado de Cultura (Secult), que promoveu o restauro do conjunto no entorno da Praça Frei Caetano Brandão, criando novos espaços museais na área.
A diretora diz que o Museu do Círio abriga hoje um acervo de mais de 2 mil peças que simbolizam a devoção mariana e a história da procissão, incluindo muitos ex-votos doados por promesseiros. Entre eles, há objetos feitos de cera e de miriti.
“Também temos uma coleção de mantos já utilizados durante o Círio, muitos deles bordados pela dona Esther, uma bordadeira famosa dos mantos, lá do Colégio Gentil. E ainda cartazes do Círio, alguns bem antigos, que estão na área de pesquisa e conservação do SIMM e hoje estão digitalizados”, diz Maria do Céu, referindo-se a Esther Paes França, que criou diversos mantos usados na imagem de Nossa Senhora de Nazaré.
Um ponto de conexão na exposição aberta no MEP
Com o Museu do Círio fechado durante as festividades do Círio de Nazaré em 2026, a direção do equipamento cultural e o Sistema Integrado de Museus e Memoriais do Estado decidiram criar um ponto de conexão com os visitantes, abrindo uma exposição especial na capela do Museu Histórico do Estado do Pará, no Palácio Lauro Sodré, localizado na Praça D. Pedro II, na Cidade Velha.
No local, será possível conhecer um recorte do acervo do Museu do Círio, na mostra “Lá Vem a Corda”. “É um lugar que tem um simbolismo grande, porque foi de lá que saiu o primeiro Círio de Nazaré”, lembra Maria do Céu Martins.
Para Maria do Céu, era importante manter a conexão com esse acervo durante a Quadra Nazarena, mesmo com o museu em obras. “São objetos que carregam essa devoção dos romeiros e que também mostram a diversidade que envolve o Círio, que inclui o Pavulagem, a Festa da Chiquita, incorporando com a religião. E o Museu do Círio reflete a importância de resguardar toda essa tradição”, defende a diretora.
Círio no Circular
O Museu do Estado, assim como outros equipamentos do SIMM, está confirmados no roteiro da 63ª edição do Circular Campina Cidade Velha, no próximo dia 18 de outubro. Com isso, a exposição “Lá Vem a Corda” estará aberta à visitação, das 9h às 17h, com entrada franca.
Além do MEP, também participarão desta edição, pelo SIMM, a Casa das Onze Janelas, o DPHAC, o Museu da Imagem e do Som/Palacete Faciola, o Forte do Presépio, o Memorial Amazônico da Navegação e o Museu de Arte Sacra.
Confira a programação completa da 63ª edição: Aqui