Centro histórico de Belém guarda tradições da Sexta-feira Santa

Fotos: Salim Wariss/Arquidiocese de Belém

Para os cristãos, o momento mais importante do ano é a Semana Santa, quando relembram os últimos dias terrenos de Jesus até sua crucificação e ressurreição: a Páscoa. Em Belém, a Sexta-feira Santa movimenta tradições antigas pelos bairros da Cidade Velha, Campina e Nazaré, reunindo procissões, sermões e celebrações que mobilizam centenas de fiéis.

A programação da Semana Santa em Belém tem início na quarta-feira, 1º de abril, com o Traslado da Imagem do Senhor dos Passos, saindo da Catedral Metropolitana, na Praça Frei Caetano Brandão, na Cidade Velha, em direção à Basílica Santuário de Nazaré.

O percurso atravessa os bairros da Cidade Velha, Campina e Nazaré, reunindo dezenas de devotos, e passando pela Rua Padre Champagnat, avenidas Portugal e 16 de Novembro, Travessa Avertano Rocha, Travessa Padre Eutíquio e Rua Gama Abreu, com uma parada na Igreja da Santíssima Trindade, seguindo pela Avenida Nazaré até a Basílica.

Na Sexta-feira Santa, 3 de abril, a tradição ganha maior intensidade. A Procissão do Encontro, realizada pela manhã, simboliza o encontro de Maria com o filho durante o caminho até o Calvário, a Via Crucis, com a saída de duas imagens que partem de pontos distintos da cidade em direção à Igreja de Nossa Senhora das Mercês, na Campina, onde ocorrerá o Sermão do Encontro, às 10h30.

A partir das 7h, a imagem do Senhor dos Passos, que representa Jesus em sua primeira queda no caminho do Calvário, sairá da Basílica Santuário de Nazaré, na Praça Santuário, seguindo pelas avenidas Nazaré e Assis de Vasconcelos, Rua Gaspar Viana, Avenida Presidente Vargas, Rua Manoel Barata, Travessa Padre Prudêncio e novamente Gaspar Viana, até a Igreja das Mercês.

Já às 8h, a imagem de Nossa Senhora das Dores sairá da Igreja de São João Batista, na Cidade Velha, também em direção às Mercês. O cortejo segue pelo Largo de São João, Travessa Joaquim Távora, Avenida Doutor Malcher, Rua Padre Champagnat, Rua Siqueira Mendes, Rua Dom Bosco, Rua Doutor Assis, Rua Capitão Pedro Albuquerque, Rua Ângelo Custódio, Praça Felipe Patroni, Avenida Portugal e Rua 16 de Novembro até a igreja.

Imagem de Senhor dos Passos

Praça das Mercês:  encontro das imagens e sermão

Este ano, a previsão é que o Sermão do Encontro ocorra às 10h30 desta sexta-feira, 3 de abril. Feito na praça em frente à igreja das Mercês, o sermão rememora a relação de Jesus e Maria, lembra o padre João Paulo de Mendonça Dantas, reitor da Igreja das Mercês.

“Tradicionalmente a gente reflete sobre o encontro com a Virgem Maria, que é muito tocante para todos nós. A presença de Maria que, como boa mãe, não abandona seu filho. E o significado disso para o filho, a sua santa mãe que o apoia, que está com ele e o recorda da grandeza de sua missão, de quantas pessoas vão receber uma vida nova por causa dessa doação de vida”, explica o padre, que também é professor de História da Teologia da Faculdade Católica de Belém e da Faculdade de Lugano, na Suíça.

De acordo com o padre João Paulo, este é um dos mais antigos momentos de celebração pascal em Belém. “Provavelmente acontece há cerca de 200 anos, porque se a gente pegar uma das obras do Barão do Guajará, Domingos Raiol, ele fala da Cabanagem e fala do Senhor dos Passos. Durante muito tempo a igrejinha do Senhor dos Passos foi a Capela da Família Pombo, na Campos Sales, lembrando que há 200 anos a gente não tinha a Igreja de Nazaré com a grandiosidade que temos hoje, havia apenas uma pequena ermida”.

Neste ano, a pregação do Sermão do Encontro será conduzida pelo padre Gabriel Aparecido Paes, Vigário Episcopal da Região Santa Cruz e pároco da Paróquia Santa Teresinha da Amazônia.

O encontro das imagens na Praça das Mercês

As últimas palavras de Cristo na cruz

O segundo momento de reflexão dos católicos da capital paraense na Sexta-Feira Santa também tem um lugar de tradição: a capela do Colégio Santo Antônio, localizada na Praça Dom Macedo Costa, na Rua Frei Gil, bairro da Campina. É onde é feito o Sermão das Sete Palavras, entre 12h e 15h, que este ano será realizado pelo Arcebispo Metropolitano de Belém, Dom Julio Endi Akamine, com transmissão ao vivo pela Rede Nazaré de Comunicação (TV Nazaré, Rádio Nazaré e plataformas digitais).

Esta será a 147ª edição do Sermão das Sete Palavras em Belém, com meditação sobre as sete últimas palavras ditas por Jesus Cristo, durante as três horas de agonia na cruz.

De acordo com o site da Arquidiocese de Belém, o Sermão das Sete Palavras, em Belém, teve início em 10 de abril de 1879, organizado pelas Irmãs de Santa Dorotéia da Frassinetti, na Capela do Colégio Santo Antônio, e desde 1881 mantém no cenário da celebração imagens sacras de origem italiana que representam Nosso Senhor Crucificado, Nossa Senhora das Dores, São João Evangelista e Santa Maria Madalena.

A cada palavra, os fiéis são convidados ao recolhimento espiritual, com acompanhamento musical do oratório “Le Sette Ultime Parole di Nostro Signore sulla Croce”, do compositor italiano Giuseppe Saverio Raffaele Mercadante (1795–1870), interpretado pelo Coral Dom Vice Zico.

“É uma peça cantada, que vai acompanhando todo o sermão. A cada palavra, o coral entra, na polifonia que caracteriza esse canto, e nos convida a uma meditação bonita, em uma experiência muito envolvente”, destaca o reitor das Mercês.

Imagem de Nossa Senhora das Dores – Cidade Velha

A presença de Maria

Logo após o Sermão das Sete Palavras, tem início, a partir das 15h, a Ação Litúrgica da Paixão, conduzida pelos párocos e vigários em todas as paróquias. Na Catedral Metropolitana de Belém, a celebração será realizada às 17h, presidida por Dom Julio Endi Akamine, encerrando com o Sermão do Descendimento da Cruz.

Este ano, o terceiro momento será pregado pelo Monsenhor Agostinho Filho de Sousa Cruz, Vigário Geral para Pastoral da Arquidiocese de Belém e Cura da Catedral.

Como destaca o padre João Paulo Dantas, este terceiro sermão é de realização mais recente, mas já é aguardado pelos católicos. “É quando o corpo de Jesus é descido da cruz e colocado no sepulcro e acontece de novo o encontro com Maria. Ela vai receber esse filho que morreu. É a Pietá, a mãe adolorada”.

Ao término do sermão, ocorre a tradicional Procissão do Senhor Morto, acompanhada da imagem de Nossa Senhora das Dores, que sai da Catedral Metropolitana em direção à Igreja de São João (São Joãozinho), reunindo centenas de devotos pelas ruas do centro histórico.

Procissão do Senhor Morto

O significado da Sexta-feira Santa

A Sexta-feira Santa em Belém segue a tradição católica de não celebrar missas neste dia. A Igreja realiza a Ação Litúrgica da Paixão, tradicionalmente celebrada após as 15h, horário que remete à morte de Cristo na cruz. A celebração é composta pela Liturgia da Palavra, Adoração da Cruz e Comunhão, sendo marcada por silêncio, recolhimento e contemplação do sacrifício de Jesus.

“O centro do ano do Catolicismo, desde os primeiros séculos, é a Páscoa. Dentro desse contexto, na sexta-feira a gente recorda a morte de Cristo, que para nós tem um sentido redentor, de salvação a todos os homens”, explica o padre João Paulo. “É um dia para pensarmos nas nossas fraquezas, pedirmos a graça de melhorarmos e sermos pessoas que amam mais. É um dia de graça”.

Anote:

Quarta-feira – 1º de abril
Traslado da imagem do Senhor dos Passos
Saída: Catedral Metropolitana
Destino: Basílica de Nazaré

Sexta-feira Santa – 3 de abril
Procissões e celebrações tradicionais

Programação:

7h – Saída da imagem de Nosso Senhor dos Passos
Local: Basílica Santuário de Nazaré

8h – Saída da imagem de Nossa Senhora das Dores
Local: Igreja de São João Batista

10h30 – Sermão do Encontro
Local: Praça das Mercês

12h às 15h – Sermão das Sete Palavras
Local: Capela do Colégio Santo Antônio
Transmissão: Rede Nazaré

15h – Ação Litúrgica da Paixão
Em todas as paróquias

17h – Celebração na Catedral Metropolitana + Sermão do Descendimento da Cruz

Após a celebração – Procissão do Senhor Morto

Observações:
Programação gratuita
Eventos abertos ao público
Recomenda-se chegar com antecedência

Texto: Aline Monteiro | Edição: Luciana Medeiros | Fotos: Salim Wariss/Arquidiocese de Belém

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