Casa Rosada: uma joia no Centro Histórico de Belém

Na esquina da rua Siqueira Mendes, primeira rua de Belém, com a travessa Félix Rocque, a primeira da cidade, está uma das edificações que contam a história da ocupação europeia da capital paraense. E também um dos exemplos de como é possível preservar a história arquitetônica da cidade de maneira integrada ao presente.

A Casa Rosada, como ficou conhecida, é um sobrado do século XVIII que traz marcas da arquitetura do italiano Antonio Landi, especialmente em sua fachada — embora não haja documentos que atribuam a autoria do projeto a ele.

Adquirido há 18 anos pela empresa Alubar, o imóvel foi totalmente recuperado em um processo que envolveu o acompanhamento da Universidade Federal do Pará, por meio do Fórum Landi — projeto de extensão ligado à Faculdade de Arquitetura e Urbanismo dedicado à pesquisa e à preservação do Centro Histórico de Belém e das obras de Antonio Landi.

O trabalho também contou com o acompanhamento do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG). Durante a obra, foram encontradas 1.395 peças arqueológicas, hoje sob a guarda do museu. O conjunto forma um acervo que ajuda a ampliar o conhecimento sobre a formação histórica da região.

A experiência mostra como intervenções em imóveis antigos podem produzir novos registros sobre a cidade.

Desde a restauração, a Casa Rosada passou a abrigar o escritório de apoio da Alubar em Belém, mas continua mantendo espaços dedicados à memória arquitetônica. Na Sala Landi, está preservado um livro original do arquiteto Antônio José Landi, contendo 59 gravuras feitas à mão de projetos do bolonhês.

Já na Sala Bolonha, as paredes foram ornadas com pinturas de quadratura executadas por artistas italianos contemporâneos. A técnica de pintura ilusionista é a mesma utilizada por Landi na Igreja de São João, ainda preservada na Cidade Velha.

Sala Bolonha. Foto: Otávio Henriques

De volta ao Circular

A Casa Rosada já havia feito parte do Circular em anos anteriores. Desde a edição do último dia 2 de agosto, voltou a integrar a rede de parceiros do projeto, assim como a Alubar, que, após apoiar o Circular em 2019 e 2020, voltou a patrocinar a iniciativa em 2026.

A Casa reabriu às visitas da comunidade com enorme sucesso. Ao longo do domingo, mais de 480 pessoas visitaram o espaço e participaram das quatro aulas públicas ministradas pelo historiador e comunicador Michel Pinho. As vagas se esgotaram antes mesmo da programação, por meio de inscrição on-line.

De maneira descontraída, sempre fazendo pontes com o presente e trazendo muita informação, Pinho conectou a construção ao contexto do primeiro núcleo da colonização portuguesa na cidade. Levou o público a percorrer a Siqueira Mendes até a Praça Frei Caetano Brandão e a perceber características do desenho de Landi nos prédios da Casa das Onze Janelas, no conjunto de Santo Alexandre e na Catedral Metropolitana de Belém.

A pedagoga Dayse Camargo e o marido, o bancário Rafael Camargo, junto com as filhas Ana Laura, 12, e Maria Luísa, 16, estiveram em um dos grupos de visita. Foi a primeira vez que a família participou do Circular.

“Fui trazida pela curiosidade de conhecer um pouco mais sobre a história dos prédios, porque a gente passa e não sabe o que aconteceu neles. Isso e a questão da arquitetura, que diz muito sobre o período em que foi construído”, diz Dayse.

“E quisemos trazer as filhas para conhecer isso. Eu particularmente não sabia nada sobre o que foi mostrado, sobre os traços da arquitetura do Landi e como eles estão presentes na igreja [Sé]. Isso me chamou muito a atenção”, completou a pedagoga.

Já Rafael gostou de aprofundar os conhecimentos que tinha a respeito do tema, especialmente por acompanhar as aulas do professor Michel Pinho. Ele acredita que programações como essa podem ajudar a conectar os moradores de Belém à necessidade de preservar esse patrimônio.

“Passa pelo poder público, mas também pela sociedade civil organizada se engajar nessa preservação. E pelas empresas. Deve ser um esforço conjunto para preservar a nossa memória”, reflete.

Livro de Landi, há somente três exemplares expostos, no mundo. Foto: Otávio Henriques

Próxima abertura

O próximo encontro dos belenenses com esse patrimônio já está marcado: em 18 de outubro, data da próxima edição do Circular Campina Cidade Velha, a Casa Rosada estará de portas abertas.

Novamente, a programação deve contar com a mediação de Michel Pinho. O historiador reforça a importância da parceria com a empresa, que tem tornado possíveis as visitas guiadas. “Além de abrir a casa para a população, a Alubar faz a gente pensar numa parceria entre a sociedade civil e a história da cidade. Isso faz com que as pessoas sintam uma relação de pertencimento com o patrimônio. É algo mais que importante, é um elo significativo em relação à cidadania”, afirma.

Por ser um espaço que abriga escritórios em funcionamento, a Casa Rosada não é aberta permanentemente à visitação. Mas a gerente de comunicação da Alubar, Mônica Alvarez, confirma que a intenção é abrir o imóvel ao público em momentos especiais, incluindo as edições do Circular.

Segundo Mônica, isso faz parte do compromisso da empresa com a comunidade e é uma forma de compartilhar com a população os resultados do trabalho de preservação realizado ao longo dos anos.

Visitação, no domingo do Circular. Foto: Otávio Henriques

“A abertura da Casa Rosada ao público é uma oportunidade de aproximar a sociedade de um importante patrimônio histórico e cultural de Belém, fortalecendo a conexão entre memória, identidade e pertencimento. Preservada pela Alubar há 18 anos, a Casa Rosada representa um dos bens patrimoniais mais antigos da Belém Colonial e simboliza o compromisso da empresa com a valorização da história paraense e o desenvolvimento sustentável da região.”

De acordo com ela, o investimento da Alubar na recuperação do patrimônio histórico de Belém — diretamente na preservação da Casa Rosada e também por meio do apoio ao Circular Campina — é uma forma de retorno ao território onde a empresa surgiu.

“A Alubar iniciou suas atividades no Pará, em 1998, e mantém no estado sua maior fábrica em operação. Além disso, grande parte dos seus colaboradores é paraense. Por isso, investir na recuperação do patrimônio histórico e na preservação da memória, da identidade cultural e da história da região é uma forma de valorizar e retribuir tudo o que o Pará representa para a trajetória da empresa”, reflete.

Serviço

Próxima abertura da Casa Rosada: 63ª edição do Circular Campina Cidade Velha
Quando: 18 de outubro de 2026
Inscrições para visita guiada: em breve

Reportagem: Aline Monteiro | Edição: Luciana Medeiros | Fotos: Otávio Henriques
3fbbcb_7ffc773945ff4d6ea521a4bc563a83bd~mv2

Tem “Ô Mundica! – uma novela” sem fim no Circular

5 anos atrás

Foto: Cláudio Ferreira

Associação Circular divulga edital de convocação para assembleia geral em janeiro

8 meses atrás

Foto: Aryanne Almeida

Quem quiser que venha ver, mas só um de cada vez…

10 meses atrás

Foto: Tereeza Maciel

“Te Dou um Norte” com Manoel Cordeiro na Praça do Carmo

1 mês atrás

3fbbcb_d66b52656ef54783abf313b06a465be9~mv2

SIM teve mais visitantes nos museus em 2019

7 anos atrás

Circuitinho traz percurso pelo Ver-o-Peso com encerramento no Mercedários UFPA. Foto: André Butter

62o Circular abre o Mês do Patrimônio

1 mês atrás

Assine nossa news e receba todas as novidades sobre o Projeto Circular